terça-feira, 23 de outubro de 2012

Chuva

Ontem no final da tarde eu e a filhotinha , íamos em direção ao centro,  eu ia atender meu partilhante e ela ser atendida, então eis que o céu se rebela.. 
A chuva traz pedrinhas delicadamente assustadoras .. 
Um rock em trovoadas com batidas descompassadas começa nos assustar.... 
Olhamos uma para outra, com o humor e a cumplicidade  peculiar , entre pessoas de ligação tão terna então ,eu digo sorrindo :
 - " Uauuu !! é o fim do mundo" -
Ela divertida diz:
 - " que bonitinhas vamos morrer juntinhas no meu carrinho" 
 Eu sorrindo digo:
 -" sim!! abraçadinhas e lindas!!" .
 Ela diz feliz:
 - "amo você mamãe " ... 
Eu ja comovida digo:
- " amo você filhinha" .
 Dou um abraço na minha motorista mais querida e rumamos tranquilas para nossos destinos . Mas as pedras sensíveis de mais para durar , derreteram com o calor da vida e os toques da chuva , que envergonhada, fugiu por entre bueiros e valas .
A sorrateira resolveu voltar durante o sono, só para não dar vontade de acordar. Seus feitiços não duraram mais do que o toque do despertador, mas o sono delicioso de uma noite delicadamente chuvosa ,é um doce presente da natureza que  rega nossos sonhos para a terra nos afofar.


Alba Regina Bonotto

domingo, 30 de setembro de 2012

Sombras


Tentava desvendar seu intimo
por fotos sobradas

Em álbuns públicos
frases  ermas..
 
Com poemas  sem linha
Era suave e mergulhava fundo

Tinha fôlego e anunciava
Uma dor refinada diluída quase liquida

Tudo tão esteticamente pensado
teria um espelho sempre a mão?

Escondia-se claramente entre as algas
Penava - Meu lugar é no fundo do mar. 
É que sobrava-lhe brânquias ideias..

 Ma no mar,  faltavam-lhe as sombras ,para contrastar
seus sentimentos e ancorar sua beleza,
Sim as sombras para se fazer notar
Sombras para existir.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Amorar


Meus sonhos envolvem-se na vida
Como a brisa que amansa 
meus dias mais ardentes.

Nestes instantes
Procuro a polpa em seus beijos
Então encho de mundo meus pecados.

Teus braços abertos em forma de cruz
Aplacam inteira a nudez do meu prazer.

Em teu sono puro, provoco ondas de vida
Quero teu despertar -Vem ,vem me amorar!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Torre de Babel




Miro       10.08.2012     Alba.



Desencontros Nos Sons de um bar
Murmurios de toda as vozes
Assuntos sem qualquer pauta
Risos que no ar se perdem?

Um canto longe em desalinho
No vazio dos poucos silêncios
Um quê de tantas ausências
No ôco cheio dos ouvidos!

E nas entrelinhas sempre vãs
Alguns de si mesmo escapam
Sem se quer rir do lugar!

E outros ainda se encontram
como brilhos de trilhos de trem
cada qual mantendo o seu lado...

(Presente do poeta Miro Pedroso)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Vísceras


No tempo sorvo
fragmentos pincelados de tua luz.

Recinto sagrado de profanos prazeres.


Dizeres em fogo onde regurgitas 

lúcidos fragmentos
das mais caras e viscerantes ilusões.

(Uma noite no boteco - Para O poeta Miro)  

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Fome

 A toda vez que meus olhos escapam do seus lábios
 são meus sonhos que te resgatam,
 São neles onde tu se derrama inteiro em pontos que até então
 eram cegos de sensações.
  
 Seus ouvidos pesquisam e mergulham insistentes em meus mistérios
 ate que nua por  instantes, sou quase plena ,bem próxima da síntese que me perpetua.

 Acordes e sincronias embalam mente e corpo num suave caminhar, refletem na vitrine meu ritmo passar.

 Composta em versos esta verdade  quer o doce e proibido atrito deste olhar.

Precisas saber , ainda sinto dor  da ausência do beijo que é teu , mas que se evapora no teu não existir.

Evocando  a força vital ei de parir meu grande amor.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Entreolhares

Um dia seus olhos se encontraram 
            ouve plenitude ali
             
              O café chegou 
              o instante tentou retornar
              no toque de suas mãos

Não estavam prontos
é preciso reaprender
  
             aguardam um novo instante
              onde a porta se abrira
e a luz do amor
azul
soltara  lábios rebeldes
 na captura    dos beijos mais    incrédulos.

domingo, 8 de abril de 2012

Fenix

Depois de existir ,aprendi a pensar .
A principio de forma "estalada"
como faíscas de pedras lascadas

Depois como fragmento no fogo
ardi veloz  sobre as grimpas secas
Foi  bem ai que conheci a paixão.

Fenix, morri no céu dás águias
Ressurgi em riscos de aquarela
Agora ando assim,
sempre ansiosa por delicadas pinceladas
de  amor.

Alba Regina Bonotto

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ritimo


A verdade é anterior a consciência
tato melódico do que somos. 

O silencio  adorna,
projeções de cantos a encantos. 

Posso ver a resposta
aos instantes  que de nós incidem em poros.

São pequenos poemas de olhares
sorrisos adocicados que vertem da pupila

A musica tomba-se ao coração
que vai ritmando caricias.

Ao ver meus rabiscos te vejo solfejar
e teus lábios respingam faíscas de mel.

Ao te ouvido confidencio em sussurros:
- É na constância que seras capaz de ler o som e sentir-me peles.


Alba Regina Bonotto


sexta-feira, 30 de março de 2012

Vicio


Meus sentidos transitam
Por teus verbos
são desenhos ,são rastros.
Entre a repulsa e o instigante desejo
recaio voyer em dores de amor
que não posso acreditar


Teu olhar no meu é ameaça
é força ,é solidez  e também
é refluxo de entendimento sórdido.

Silente,
tua imagem inspira maldades
desejos profanos..

Forjada pela fome,
recaio no vicio que busca a repulsa
na esperança de anular ,diluir,
fugir para,bem longe do medo
de  morrer por não mais amar.

Em descrença sempre  me desamarro
Dessa vontade insistente de transgredir
então  minhas mãos seguem pulsando
carregando um coração que chora de solidão


Alba Regina Bonotto

sábado, 24 de março de 2012

Raizes

Ele a seduzia tão completamente que ela temia diluir-se toda em uma paixão incontrolável ... a  muito tempo suas raízes eram ancoras à suas asas.. ela não sabia como voar para seus braços sem arrancar-se inteira do chão..

                                                                      

quinta-feira, 15 de março de 2012

Substrato

Quero dia a dia mais leveza
 meu mundo mais suave
que minhas armas obsoletem .


Fazer um ninho de livros amortecido por paginas rasgadas
 de linhas que ninguém deve ler.


Quero exercer todas as minhas competências
Acima de tudo, superar limites e estar sempre em mim .
Podendo visitar o outro nele mesmo,
sem tornar-me refém de projeções.
Quero a liberdade do saber.


Eis aqui um substrato 
do meu mundo como vontade de poder. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Olhares

A Abelhinha Contra Regra e o Morcego Sonhador
capturados por olhares,dividiam o mesmo galho.

Ela quando olhava para ele, via a terra, as plantas e o mar.

Ele ao olhar para ela,alem de seus olhos de mel
via desenhos  feitos por nuvens, estrelas reluzentes ao luar.

Ela tinha o céu ele tinha o mar.
Enquanto um  mergulhava o outro ardentemente voava.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Existe

Existe um passarinho
do outro lado mundo
que  traduz  tudo que dela pode ler .
Nesses mesmos dias,toda manhã
em suas  páginas,recebe seu recadinho:
- És linda e doce, recebe esta canção?
Uma melodia triste,a toca suavemente
 na tela imagens de belas flores
e apenas naqueles instantes
ele a  envolve em  seus mistérios ,
a faz sentir uma dor anonima
recheada de algodão doce,
neste instante seu ser todo transborda
uma compaixão imensa sem forma  e sem nome.
 Alguns amores são como estas  flores ,  encantam
 e fazem apenas o seu proprio perfurme existir.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Afoita

Quando ela vem
 Afoita diz que recebeu tudo de uma vez
Ela entra quebrando as brumas
Em cliques de solavanco
Desliza e faz ranhuras no telhado
Com orquidais nas mãos e sorriso nos lábios
Vai ritualizando seu miado
quer porque quer um homem apaixonado.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Caminhos

Soltei-me aos instintos
velejei conduzida por mastros essenciais
vestida de areia senti os beijos do mar
Teu canto assobia é o vento
demarcando os caminhos
até que meus lábios  digam
bem baixinho:
-Vento vem! eu te quero mais.


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Homem replicado

Uma dança de palavras, sua mente.
Enquanto o olhar era capturado,  humores quentes.
Seu corpo buscava  imagens
mas seus dedos eufóricos
em seu ritmo  querem duetar

Em ritmo cardíaco
Num puxa que eu vou .

A mente delicadamente presa
entre a melodia de  logicas e risadas ,cria
verbetes mascarados.

Busca desnudar o homem replicado.
Em mil olhos e dedilhados.  .
.











Amelia

Ele surge significante
Entre letras e conceitos
Em busca da Amélia.

Seus olhos estão no passado
Onde só ha lembranças
Do que nunca teve.

Ela no passado
 Não vive, então
Embriaga seu presente.

 Hoje chora na busca da mulher
Que Amelia  não é.